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30 anos – Antônio Carlos Falcão – a trajetória de sua Maria Betânia

18 Nov

Antônio Carlos Falcão – a trajetória de sua Maria Betânia

foto: Divulgação/ARQ

Os 30 anos da Maria Betânia de Antônio Carlos Falcão vão ganhar uma série de comemorações à altura da cantora e sua fiel escudeira gaúcha. Durante o mês de novembro, nos domingos, haverá shows com convidados de todas as épocas da vida da Betânia. O inquieto Falcão anuncia ainda um documentário intitulado Documentira, com roteiro assinado por ele mesmo. As comemorações se iniciaram no dia 13 de novembro, no Ocidente, onde tudo começou. Os demais shows acontecem nos domingos e quartas: 20 e 23 de novembro. Entre os convidados destacam-se Ângelo Primon, Boca Freire, Nei Lisboa, Sadi Homrich e quase todos que de uma forma ou de outra tiveram experiências com a personagem criada por Antônio Carlos Falcão.

Em cena uma grande cantora da MPB conta muitas passagens de sua vida. É Betânia, a personagem que nasceu em Bagé e tem que seguir a pé até Salvador, a cidade de todos os santos. Cantando e declamando versos, a personagem diverte e encanta não só pela semelhança com a cantora baiana Maria Bethânia Viana Telles Veloso, mas também pela ironia de desnudar o mito em torno de si.

A personagem Maria Betânia foi criada no início dos anos oitenta pelo ator Antônio Carlos Falcão, gaúcho de São Borja, admirador e fã da verdadeira Bethânia. Falcão começou sua carreira no final dos anos 70 em Porto Alegre. De tanto ouvir a cantora surgiu a personagem e as semelhanças no timbre e no gestual se aprofundaram com a paixão. Nas palavras de Falcão, “Betânia nasceu no banheiro, na cozinha… era cantada enquanto eu cozinhava ou no banho, como muita gente. Um dia veio o convite de um grupo de dança: eu cantaria ‘oração da Mãe Menininha’ e eles dançariam. Uma brincadeira que, ironicamente, acabou no palco”.

Mais que uma homenagem a Maria Bethânia Viana Telles Veloso, “A Doce Bárbara” é um exercício constante de improvisação de um jogo constante com o público que muitas vezes reage como se estivesse diante da própria Bethânia. Para isso é necessário aquecimento vocal e muita concentração. Falcão acredita que o ator deve desaparecer para que o personagem cresça e apareça. “Nossa viagem é buscar certas emoções da alma e do corpo para que a personagem surja sem pudor, tão real que pareça verdadeira. Aí está a loucura e a magia do teatro”, conclui Falcão. Além de ser uma homenagem à artista baiana, o espetáculo também é um tributo à Música Popular Brasileira, paixão do ator. Falcão diz ter sempre escutado MPB. “Gosto da nossa música e considero Maria Bethânia a maior intérprete brasileira, é uma grande cantora”. A influência da artista para a carreira de Falcão foi à própria criação da personagem Betânia.

Um dos pontos altos do espetáculo é a aparição de Chico Buarque numa imitação (ai sim este recurso é usado como tal) quase perfeita. Muitas vezes aplaudido em cena aberta quando os dois cantam juntos, Chico e Betânia interpretando Tatuagem. Outro momento hilário é a transmutação de Betânia em Nei Matogrosso. Entre uma história e uma canção, Falcão inclui fragmentos inspirados em Eduardo Galeano, Freud, e o poeta, escritor e psicanalista gaúcho Celso Gutfreind.

A Doce Bárbara sempre foi um espetáculo maleável: enquanto a história permanece inalterada, as músicas mudam a cada temporada, variante essa que acompanha a carreira da musa Maria Bethânia. O texto é do próprio Falcão que também dirige. Os figurinos são criados por Rô Cortinhas, renomada figurinista de Porto Alegre. Na concepção da luz, outra estrela dos palcos gaúchos, Marga Ferreira, uma das mais requisitadas iluminadoras do Brasil.

Eu e o personagem Maria Betânia – Por Nei Lisboa
Estive no palco com Antônio Carlos Falcão um sem-número de vezes, ao longo de alguns anos e milhares de quilômetros, tendo o prazer de contracenar ou simplesmente admirá-lo na pele de muitos personagens, todos genialmente interpretados e hilariantes. Mas com a Betânia, sempre e desde a primeira vez, algo de estranho e um tanto indefinível me acontece: simplesmente não aceito que seja ele. Posso tê-lo visto preparar-se para o show, vestir-se, maquiar-se, ensaiar o texto, nada disto adianta, quando aquela mulher sobe ao palco, me desculpem, mas é ela e mais ninguém quem está ali. Não poucas vezes me assustei ao vê-la entrar em cena, tanto pela preocupação de receber bem convidada tão ilustre quanto por me perguntar onde andaria o Falcão, que não aparecera.
Hoje em dia, entendo — porque os dois me ensinaram – que um figurino, uma peruca, uma ribalta e a verve afiada podem até produzir um transformismo, e muitos os há por aí. Mas só o canto, a interpretação, o encanto e o respeito pela personagem produzem magia. Respeito como todo o resto, que nunca faltou ao Falcão. E que, com todo o respeito, não é quem vai estar no palco hoje.

Ficha técnica:
Maria Betânia – Antônio Carlos Falcão
Guitarra – Daniel Nodari
Baixo – Aldo Ibanhos
Bateria – Cesar Audi
Violão de 7 – Alexandre Missel
Figurinos – Rô Cortinhas
Luz – Marga Ferreira
Direção, texto e roteiro – Antônio Carlos Falcão
Ingressos: 20 reais – no local na hora do espetáculo

Informações para a imprensa:
Bebê Baumgarten e Kellen Hoehr/ BD Divulgação
(51) 3028.4201 / 8111.8703
Nextel – 7814.2244 – ID 84*39184
bebebaumgarten@terra.com.br

http://www.bddivulgacao.com.br

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