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Deprê … por Zé Augustho

18 Maio

Até o sol já está reclamando desta falta de humanidade … fotos: Rosane Scherer

A médica-psquiatra me disse que “eu estava com depressão”, com uma voz narrativa entre os polos da linguagem onde hoje em dia, tudo é matéria e matérico! Pois bem, eu que não sabia o que era ter a tal depressão, procurei voltar ao mundo pré-linguístico, representado pelo meu corpo. No meu pensamento a depressão é como um poema sem lastro, é uma procura de conexão com a matéria, pelo próprio tema que ela impõe-se, pela redundante e inexplicável abstração que se desenha a cada pingo d’água que deixei a torneira sem fechar direito. Meu esforço para torná-la uma obra de arte ou uma prosa antipoética, me torna um ser híbrido, entre a intuição de um insight literário, assinado pela heteronomia de uma bula do tamanho de um rolo de papel higiênico e, meu amadorismo redutor, de uma alma que escreve e assina com borrões de merda encagaçada… Acho mesmo que agora que a ficha caiu, que a gente vive uma vida ambivalente, com ou sem decoros parlamentares entre nossos sistemas neurotransmissores. E, eu estou louco para que chegue à noite, com o William Bonner e a Patricinha Poeta, me darem Boa Noite e despejarem, mais um monte de coisas lindas e maravilhosas que este País produz! Roubo, corrupção, gente na fila do SUS, esperando a morte chegar, o jogador que comeu o traveco e não pagou, um Cachoeira que é chefe de uma cachoeira de políticos e homens públicos, o Collor esbugalhando os olhos na sessão da CPIzza, o Lula fazendo visitinha pro Sarney, o telefone que não para de tocar, a “Copa” que vai ser a “melhor do mundo…” e, mais a puta que os pariu! Estou nas mãos da necessidade de desaparecer, como obra de arte Surrealista ou Dadaísta: esperando encontrar num milagreiro remédio qualquer, a antipoesia da cafeína, da pimozida, macrogol, do carisprodol, diclofenaco, cisax, paracetamol, ou uma boleta futurista, que me cure desse cárcere midiático, produzida pela doença do roubalheirol e seus sintomas de falta de valores, escoando pelos ralos da miséria visceral dessa gente podre…
E, boa DEPRÊ para todos!

Zé Augustho Marques

Mas sempre há uma luz lá na frente… e sabemos bem disso!

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